CinemaXunga

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Die My Love (2025)

Há uns anitos valentes, antes de eu próprio ter começado a povoar o planeta com a minha semente, fui visitar uma amiga acabada de ser mãe. Cheguei ao hospital, invoquei em mim toda a exteriorização de felicidade possível e lá fui com uma prendinha na mão para a criança. Provavelmente um item de plástico chinês que iria intoxicar a criança com a tinta de chumbo, mas eu era novo naquelas situações e ninguém ainda queria saber destes problemas de saúde pública que acometiam recém-nascidos. Lá entrei no quarto da maternidade com o meu sorriso estúpido e exagerado. O cenário que encontrei foi muito além das minhas mais deprimentes expetativas. Uma recém mamã a comer um frango churrasco com muito mau aspecto, talvez mais cozido que assado. Comia só com uma mão, sem talheres. A outra mão usava para segurar a cabeça. Cara miserável e deprimida. A criança chorava desalmadamente, dando uso a uns pulmões novinhos em folha, talvez a 110%. A jovem mãe olhava-o de lado com desprezo. “Sacana, cabrãozito que me sugou as reservas minerais. Que me deixou neste estado terminal, como um invólucro usado atirado ao chão em hipótese de reciclagem”. Imagino eu, pela cara. Foi o choque inicial que tive com a maternidade, que nem sempre a injeção de felicidade diretamente no coração faz efeito. Entretanto passaram-se 6 meses e normalizou. Voltou a ter mais uma criança, tudo ok. Mais importante de tudo, nenhum era parecido comigo. Ufa!

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The Housemaid (2025)

Pensei que talvez fosse demasiado cedo para entrar na sala de cinema porque ainda lá estava o senhor com o carrinho das calças. Um funcionário que existe só para sessões deste filme que coloca todos os pares de calças, creme hidratante de mãos Hidrapirilau e comprimidos para hipertensão arterial esquecidos numa carreta que depois vai diretamente para o incinerador. Mal me sentei, escorreguei para a frente e fiquei no chão. Com a cara colada ao banco da frente, enfiado numa gosma parecida com as vítimas dos xeromorfos armazenadas antes de consumidas. Mudei de lugar e, com ajuda de uma lanterna de ultravioletas, lá encontrei um lugar relativamente seco. Sentei-me. Começam a entrar mulheres em grupo de 8 e 10. Ouve-se barulho de escorregarem das cadeiras e ficarem presas na gosma do banco da frente, uma galhofeira pegada.

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Malta, fiz as pazes com o Christopher Nolan

Malta, fiz as pazes com o Christopher Nolan. Às vezes é assim, de um momento para o outro. Aparece um inimigo comum e somos aliados. Vocês sabem do que falo, a Netflix quer acabar com o pouco que nos resta do cinema. Mandei-lhe uma mensagem nas redes sociais. “Nolan, precisamos de falar. Desculpa lá, eu às vezes excedo-me. O mundo piorou tanto desde que apareceste que, mesmo tu a manteres-te igual, o mundo fez de ti uma coisa positiva, Diz-me quando puderes passar pelo Barracão dos Ossos para almoçar. Pago eu. Só menu, sem sobremesa nem vinho.” E ele responde logo: “Obrigado pelo contacto. Daremos feedback assim que possível. És amado. Ass: Chris”. E eu fartei-me de rir. Mesmo à Nolan, estar lá sentado à espera da minha mensagem para responder logo com uma private joke, isto é o que ele me diz sempre que lhe mando uma mensagem. Ainda lhe disse “Moinante, não te esqueças de passar pela calçada do gato, porque se forem dar a volta ao hospital privado, atrasas-te 20 minutos.” E ele, sempre malandro, responde:  “Obrigado pelo contacto. Daremos feedback assim que possível. És amado. Ass: Chris”. Que fartote, este Nolão. Sempre a dizer que é um desligado analógico dos efeitos práticos e depois está sempre no telemóvel às mensagens.

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Monique Gabrielle – Peitinhos da Quinta

Está muito atrasada esta homenagem ao corpo de trabalho de Monique Gabrielle, atriz nascida em 1962 com o nome Katherine Rodriguez, ganhou notoriedade pelo seu corpanzil em 1982 onde foi Penthouse Pet of the Month. A partir daí entrou na sua fase scream queen em épicos inesquecíveis de série B bem como em filmes de culto como Evil Toons, Airplane II, Flashdance, Bachelor Party (mostrando-se a Tom Hanks como chegou ao mundo), Deathstalker II ou Chained Heat numa prisão húmida e apertada com Linda Blair. Foi uma atriz frequente em sagas eróticas como Emmanuelle (no 5º tomo) ou Bad Girls 4.

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Minecraft Movie, Chicken Jockey e a anarquia da juventude

Estava no letterboxd a ver listas dos filmes mais marcantes dos anos 2020s e apercebi-me que não tinha registado o Minecraft Movie no meu diário. Corrigi a injustiça e lembrei-me do colossal evento que durante duas semanas foi o centro mundial da atenção mediática, o Chicken Jockey. Logo após a estreia, de modo aparentemente espontâneo, começa a criar-se um ritual em volta da cena em que Jason Momoa é atirado para lutar com um boneco frankenstein que pilota uma galinha. De repente essa cena passou a ser o pânico das salas de cinema, com miúdos a atirar comida, bebida e tudo o que conseguiam encontrar num ritual que parecia Portugal aquando do golo do Eder. Desde galinhas vivas a incêndios em sala, parecia que a civilização ocidental estava prestes a acabar. Entretanto passou e agora parece ter sido um sonho febril.

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I Know What You Did Last Summer (2025)

Em 1997 estreava um filme cuja premissa girava inteiramente em redor de uma frase “Eu sei o que fizeste no verão passado”. A história é conhecida, mesmo para aquele cinéfilo que só vê séries de TV, Titanics e TikTok. Um grupo de atraentes adolescentes tesudos, em plena fase de descoberta sexual, num verão louco a dar o tudo antes da faculdade, mata acidentalmente uma pessoa. Encobrem tudo e vão, bêbedos e drogados, à sua vida de deboche, excesso e sodomia seletiva. No ano seguinte recebem uma nota, magistralmente bem escrita para um maneta de gancho, que diz “ah ahhh meu bois, eu sei o que fizeram no verão passado. Mataram-me seus cães, mas eu fodo-vos um a um em esquema de sexta-feira 13. Não literalmente, mas figurativamente e com um gancho. De pesca.” E assim se transforma esta premissa inventada na hora por um argumentista, que acordou 5 minutos antes de uma reunião de pitch depois de passar uma noite a snifar coca do rego de prostitutas, com o pouco dinheiro que lhe sobrou do seu único êxito comercial.

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Alison Brie – Peitinhos da Quinta

Após ter ficado encantado com a performance de Alison Brie no filme Together, cujo meu texto acerca dele pode ser lido aqui, resta apenas fazer a homenagem a esta mulher bonita, com excelente sentido de humor e enorme capacidade nas artes da representação. O seu estilo “à vontade” com o seu corpo, sem tabus, dá-lhe uma leveza difícil de encontrar fora dos anos 80 e 90. Sem mais delongas, ficam a multimédia sortida. Quando acabarem de esgalhar o pessegueiro, leiam o texto acerca do filme no blog. Obrigado

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Together (2025)

O amor é um conceito demasiado complicado para ser processado pelo cérebro humano. É uma emoção? É um comportamento? É um procedimento destinado a criar vínculos? É inato? Aprende-se? Há quem diga que não se pode explicar ou que a partir do momento em que se pode explicar, deixa de existir. É um circuito de recompensa e gerador de dopamina para criar no ser humano a vontade de não se querer matar mal entre neste mundo? Talvez. Mas como diria o poeta “What is love, baby dont hurt me, dont hurt me, no more…”. E é este último conceito poético do impactante mestre do eurodance, o criador de hinos Haddaway, que vamos usar para falar de amor. O amor mais sofrido, mais duro e também mais solidificador de vínculos. Uma força de gravidade imensa que só percebemos existir quando tentamos sair da órbita do objeto amado e não conseguimos. Não há força de escape que nos liberte da atração gravitacional, neste caso o chamado “Poder do Amor”, do objeto da nossa paixão. Mesmo quando pensamos não estar sob a jurisdição da lei da gravitação amorosa universal. Quando percebemos que o ar é apenas respirável na órbita do nosso centro de afetos. Que pode ser um parceiro, podem ser filhos, animais, por vezes dinheiro e objetos ou no caso de Lobo Antunes, uma pedra que um dia irá, eventualmente, amar.

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Jurassic World Rebirth (2025)

Acordei numa sala escura. Uma lâmpada forte apontada cirurgicamente à minha cara. Mal conseguia abrir os olhos, sentia o sabor a sangue na boca e provavelmente meia dúzia de costelas partidas. Tentei falar. Ao fim da primeira sílaba, senti um pulmão pressionado por algo pontiagudo. “Foste tu quem escreveu o texto do Jurassic World Rebirth na página do Sr. Joaquim no Facebook?”. Aflito e assustado pensei que finalmente as consequências estavam a materializar-se na vida real. “Senhor quê? Nunca ouvi falar…”. De repente sinto um choque a percorrer-me o corpo, todos os músculos se mexem violentamente de modo involuntário. Incluindo o esfíncter retal, infelizmente. “Era uma pergunta retórica, óh burro! Sabemos que nem sequer viste o filme. Emprenhas pelos ouvidos só para te armares em espertinho e alguém tem que pôr fim a isso. Tens 3 dias para o ver. Senão voltas para aqui e levas uma segunda volta que não será tão agradável”. Um pensamento relâmpago tomou conta de mim, deixar completamente esta parvoíce de falar de cinema. Não necessito realmente disto para nada, muito menos morrer eletrocutado todo borrado por mim abaixo. “Quem és? Serviços Secretos? ASAE? Polícia Judiciária? Mossad? CIA? Mercenário? Espião MI6?”. Uma gargalhada que me vaporizou uma brisa de má higiene oral na cara. “Não, meu bandalho. Sou o Caló que trabalha de manhã no talho do Alcides. Primo da Gisela da Zouparria, que é recepcionista na Florista Linita. Campeão distrital de dominó”. Ok, pensei. Finalmente o famigerado reconhecimento público.

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Helen Mirren – Peitinhos da Quinta

Na edição de hoje de “gajos que se excitam com velhas” será homenageada a estrondosa Helen Mirren, cuja beleza intemporal a colocou no pódium da divas da eternidade . Sem mais demoras, toca a baixar as calças que o resto do post é só multimédia sortida, curada como se fosse a secção de Impressionismo do Museu D’Orsay.

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How to Train Your Dragon (2025)

Estavamos de férias e o puto torceu o pé. Todos os planos de palmilhar repetidamente, em modo robótico, as ruas turísticas daquele vilarejo balnear foram por água abaixo. Ficámos tristes por não podermos fazer a voltinha dos tristes pelas lojas de bolas e chinelos, snifar o intenso cheiro a champô e as hormonas de pitas com esperança de se estrearem na área das desilusões amorosas de verão. O plano? Ficar em casa e ver um filme. Todos já viram o How To Train Your Dragon e, mesmo antes de passar ao próximo da pastinha do Sr. Joaquim, reparei que era de 2025. “Mas que diabos…?”. Um remake em imagem real? Da mesma realizadora? Bom, o puto mais novo ainda não o tinha visto e todos nós já nos tínhamos esquecido do original. Quarenta minutos depois de o termos visto, para ser sincero. Comando na mão, carreguei no botão.

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The Fantastic Four: First Steps (2025)

Aqui estamos nós, amigos, reunidos em volta da fogueira noturna na praia dos filmes Marvel. A assar chouriças, marshmallows tugas, e a degustar uma quantidade anormal de aguardente aquecida. Daquela que não se sente o álcool, e que mamamos sempre um garrafão preventivo antes de entrar na sala. Desta vez, é a quarta encarnação live action do Quarteto Fantástico, que só por este facto responde à habitual pergunta: “Mas quem é que quer saber disto?”. Aparentemente, toda a gente. Lá estou com os meus filhos, o escudo protetor de crítica que uso nestas ocasiões.

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Alma & The Wolf (2025)

O cinema de terror tem-se vindo a tornar cada vez menos literal. Nos anos 70 e 80, os monstros eram mesmo monstros, normalmente gerados a partir de fobias coletivas populares. Radiação ou detritos tóxicos que mutavam animais e pessoas, fruto da iminente guerra nuclear que estava sempre ao virar da esquina. Fantasmas e entidades do sobrenatural, oriundos de crenças ainda reais, da bicharada mágica do além. Zombies e sobreviventes de um mundo ríspido, pós-nuclear e pós-apocalíptico. Ou os extraterrestres que, finalmente, vinham cobrar as suas dívidas a este planeta emprestado. Ultimamente, principalmente com o advento da omnipresente A24, começou a materializar-se o processamento do luto e das fobias. As doenças mentais tornaram-se os novos monstros e, como se costuma dizer em tom de máxima galhofa: “os monstros somos nozes”.

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The Phoenician Scheme (2025)

De 2 em 2 anos, mais coisa menos coisa, sai um novo filme de Wes Anderson. Por esta altura já ninguém se pode sentir enganado ao ser confrontado com alguma situação inesperada, uma vez que todos sabemos bem ao que vamos. Paletas pastel absolutamente dominantes, simetria doentia, movimentos de câmara definidos milimetricamente por algoritmos da NASA e, bem, e uma adorável patetice autista, à qual ninguém resiste. Vou sempre de pé atrás, preparado para criticar de modo senil como um idoso retido num lar, refém de donas de casa psicóticas a trabalhar sem vinculo contratual. Acontece, no entanto, que no final gosto sempre do filme e fico também sempre irritado por isso.

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Karate Kid Legends (2025)

Uma das piadas recorrentes de Barney Stinson, popular personagem de How I Met Your Mother interpretado por Neil Patrick Harris, era que o verdadeiro Karate Kid seria Johnny Lawrence. Daniel LaRusso foi um principiante com sorte que estragou a meteórica carreira de Lawrence com um pontapé ilegal. E que depois lhe arruinou a vida para sempre, abandonando um futuro promissor, lançando-o para sempre numa vida de álcool, drogas, Rock n’Roll e decadência urbana. Essa tendência da série, para reforçar a sua personalidade oposicionista, acabou por dar origem à série Cobra Kai. E depois, com o êxito meteórico dessa série em todas as faixas etárias, Karate Kid começou a ser novamente um nome pomposo e popular, a criar tendências e a pedir o que se pede sempre: outro filme.

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Until Dawn (2025)

Há uns tempos, num episódio do podcast Nalgas do Mandarim, falava com os meus amigalhaços co-apresentadores acerca do fenómeno da última década e meia das adaptações de videojogos para cinema. E, como de costume, elencavam-se argumentos rezingões de velhos furiosos com o avanço dos tempos acerca do tema “No meu tempo é que era bom”. Neste caso de nos anos 80, 90 e inícios dos 2000s, os videos jogos mimicavam os filmes que víamos, o cinema era a força motriz por detrás da jovem, imberbe e imatura indústria dos videojogos. Para quem tem andado distraído nos últimos 20 anos, as coisas mudaram drasticamente. A indústria dos videojogos, principalmente da gama AAA, é lider no entretenimento e o cinema e TV agora adoptam os jogos em blockbusters e séries premium nas plataformas.

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Rocky IV (1985) e a reciclagem das nostalgias

Esta semana foi a queima das fitas de Coimbra. Tenho vindo a acompanhar novamente este evento académico, porque os meus filhos e sobrinhos estão já a começar o seu percurso no Ensino Superior. Um gajo vai-se inteirando das novas modas. Por exemplo, já não há garrafas de vidro, o cortejo é super organizado, os concertos das noites do parque são uma merda e as miúdas agora mijam de pé com as amigas à volta a tapar com as capas. Antigamente mijavam de cócoras, mas as bêbedas das amigas estavam sempre a levantar as capas e qualquer pessoa que passasse na rua tinha acesso a uma versão local d’A Origem do Mundo de Gustave Courbet, em 3D com cheirinho. E uns salpicos se se aproximasse demais.

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